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| Montagem de Taís Mello |
Creio que quem convive com teatro sabe que não é uma profissão fácil. Então eu, buscando ainda meu lugar ao sol, tentei saber do filho de minha amiga onde ele gostaria de exercer sua profissão, se na televisão, no teatro, no cinema, imaginando o que, em minha tola pretensão, poderia ajudar aquele jovem estudante da arte.
Na verdade não me lembro absolutamente nada do que ele me respondeu, porém, hoje, anos depois do acontecido, me dei conta da extrema apatia que o rapaz parecia ter com relação a profissão.
Como se, para ele, fazer teatro e, (imagine uma coisa que você faz com extremo desdém. Cada um tem o seu. O meu seria ler um livro chato.)
Me imaginei com a idade dele começando a fazer teatro, 18, 19 anos. Não havia aquele desdém, pelo menos, não presenciei nenhum.
Éramos pessoas apaixonadas pelo teatro. Todos de classe média que precisavam pegar no batente, ganhar uma graninha e usar as poucas horas que sobravam para o que de fato importava: Fazer teatro.
Longe de parecer saudosista. Apenas uma descrição da paixão. O teatro era uma paixão. Até mesmo para aqueles que ficavam um tempo e desistiam da brincadeira. (Talvez porque, insuportáveis que éramos, exigíamos a paixão de todos os que estavam envolvidos com a nobre arte. (Não que as outras não sejam nobres).
Fazer teatro não era uma escolha, era um sacrifício. De fato, um sacrifício das noites dormidas, do repouso, do convívio com a família. A família era o palco e naquele amadorismo apaixonado uns ensinávamos os outros. Raramente um diretor aparecia pra enfrentar esses loucos. Muitos dos que enfrentavam, acabaram apaixonando-se também, talvez pelo brilho nos olhos daqueles amadores.
Hoje sou apaixonado pelo teatro?
Claro que não porque não sou besta.
Porque a paixão arde e acaba.
Hoje, do fundo de meu coração, depois de mais de 30 anos de muito suor, lágrimas e muitas risadas, posso dizer que conheço o amor. Amo o teatro. É foda. Amo mesmo.
Assistir teatro, fazer teatro, produzir teatro, é uma das poucas coisas que faz bater forte meu coração.
Dá aquela tremedeira de perna quando se esta dirigindo um elenco.
O suor debaixo de braço quando se lê um texto seu.
E o indiscritivel friozinho na barriga segundos antes de entrar em cena.
Teatro, te amo!
